Pense por um minuto na lista enorme de computadores, televisores, celulares, rádios, consoles de videogame e players de música que passaram por suas mãos ao longo dos anos. E quanto à seqüência interminável de produtos como aspiradores de pó, microondas, secadores de cabelo, escovas de dente elétricas, despertadores, cortadores de grama e detectores de fumaça que fizeram parte de sua vida e se foram?
Esses são apenas alguns exemplos de aparelhos e parte do crescente fenômeno conhecido como lixo eletrônico - termo empregado para descrever os produtos elétricos e eletrônicos descartados. Ah, e só para lembrar boa parte deles usam ou usavam pilhas e baterias. Nas últimas décadas, a demanda mundial por aparelhos disparou e, inevitavelmente, o volume de produtos descartados cresceu. À medida que as economias da China e da Índia se modernizam e se enquadram às tendências ocidentais, a geração mundial de lixo eletrônico atinge proporções astronômicas.
O que acontece com todo esse lixo?
O lixo eletrônico contém muitos componentes tóxicos e perigosos que, em sua maioria, ainda são depositados em aterros sanitários. Boa parte da porção restante é exportada a alguns países em desenvolvimento, onde trabalhadores - que muitas vezes trabalham em condições de pouca segurança e sem fiscalização - reciclam esses resíduos. O trabalho que eles realizam, embora ofereça algumas matérias-primas reaproveitáveis, tem sérias conseqüências.

Na foto: Trabalhadores em Lagos, Nigéria, descarregam TVs e monitores de computador importados, a maioria dos quais serão enviados a depósitos de lixo locais, onde serão vasculhados em busca de porções recicláveis e, depois, incinerados
No momento, as pessoas estão apenas começando a perceber o quanto essas conseqüências podem ser sérias. A exposição em longo prazo a pequenas doses de toxinas é menos compreendida do que os efeitos dessas toxinas em dosagem maior. Provavelmente, é perigoso passar os dias tocando fragmentos de metais tóxicos como chumbo (em inglês) e mercúrio (em inglês). O senso comum alerta que inalar fumaça de produtos químicos que retardam chamas e ácidos altamente corrosivos também não é uma boa idéia. E despejar os subprodutos desse processo de reciclagem em fontes de água potável ou não acaba poluindo-os.
A conseqüência é que as pessoas começaram a prestar atenção a isso e diversas iniciativas de proteção ao meio ambiente e à saúde humana ganharam força, recentemente. Governos de todo o mundo estão adotando regulamentação para reduzir os resíduos e um número crescente de melhoras industriais vem surgindo a cada dia.
No Brasil, o problema não é menor que nos outros países, inclusive, porque, por exemplo, a reciclagem de pilhas e baterias é mínima.
Os perigos do lixo eletrônico
Em muitos casos, a única parte visível de um produto eletrônico é seu revestimento externo. A menos que ele se quebre, raramente vemos os múltiplos circuitos, fios e conexões elétricas que o fazem funcionar.
Mas são exatamente esses itens que são tão valiosos e tão tóxicos. Um buquê completo de metais pesados, semimetais e outros compostos químicos está à espreita no interior de seu laptop ou televisor aparentemente inocente. O perigo do lixo eletrônico deriva de ingredientes como chumbo, mercúrio, arsênico, cádmio, cobre, berilo, bário, cromo, níquel, zinco, prata e ouro. Muitos desses elementos são usados em placas de circuito e fazem parte de componentes elétricos como chips de computador, monitores e fiação. Além disso, muitos produtos elétricos incluem produtos químicos para retardar chamas e que podem representar perigo para a saúde.
Na foto: Um homem em Guiyu, China, aquecendo uma combinação de ácido nítrico e hidroclórico, enquanto inala fumaça de ácido, cloro e dióxido de enxofre, sem máscara de proteção. Os restos de ácidos e outros refugos são lançados ao rio.
Quando esses elementos estão protegidos no interior de nossos refrigeradores e laptops, o perigo do lixo eletrônico não é tão iminente. Mas podem acontecer problemas quando os aparelhos se quebram - intencional ou acidentalmente. Eles podem vazar e contaminar o ambiente que os cerca, quer se trate de um aterro sanitário ou das ruas de um bairro residencial. Com o tempo, os produtos químicos tóxicos e o lixo eletrônico de um aterro sanitário podem contaminar o solo (possivelmente chegando ao lençol freático) ou a atmosfera, afetando a saúde de comunidades vizinhas. Ainda não se conhece o nível de risco da contaminação por lixo eletrônico, mas é seguro presumir que os resultados provavelmente não serão bons.
As pessoas estão começando a debater seriamente os aspectos da poluição em termos de bioacumulação e biomagnificação. A bioacumulação acontece quando pessoas, plantas e animais geram níveis de substâncias tóxicas em seus corpos em velocidade superior à sua capacidade de descartá-las. A biomagnificação acontece quando níveis de toxinas crescentes se acumulam na cadeia alimentar. Por exemplo, o plâncton pode absorver traços de mercúrio. Os peixes que comem muito plâncton ingerem dose ainda mais insalubre e o problema prossegue com os pássaros ou com os seres humanos que comem peixes contaminados por mercúrio.
Pesquisadores do Programa de Pesquisa de Metais Tóxicos da Universidade Dartmouth compilaram uma lista dos efeitos dessas toxinas sobre o corpo humano. Tenha em mente que não se trata de uma lista completa de todos os efeitos de saúde possíveis da exposição a esses metais. Além disso, a lista menciona apenas algumas das substâncias e compostos químicos usados nesses produtos domésticos.
•Arsênico - pode causar problemas na comunicação entre células e interferir nos gatilhos que geram crescimento celular, possivelmente contribuindo para doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, em caso de exposição crônica.
•Cádmio - afeta a capacidade do corpo de metabolizar cálcio (em inglês), o que leva a dores ósseas e a ossos frágeis e gravemente enfraquecidos.
•Cromo - causa irritações de pele e é potencialmente carcinógeno.
•Cobre (em inglês) - pode irritar a garganta e os pulmões e afetar os rins, o fígado e outros órgãos.
•Chumbo - o envenenamento por chumbo (em inglês) pode causar sérios problemas de saúde, entre os quais redução da capacidade cognitiva e verbal. Em última análise, a exposição ao chumbo pode causar paralisia, coma e morte.
•Níquel - em dosagem alta, é carcinógeno.
•Prata - provavelmente não faz mal, mas manipulá-la com freqüência pode causar argirismo, uma doença que causa manchas azuladas permanentes na pele.
Referência: http://www.ambiente.hsw.uol.com.br/lixo-eletronico.htm
[Fonte: Dartmouth Toxic Metals Research Program]


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