Preceitos Ecológicos do PADRE CÍCERO

Convivendo com a seca no semi-árido nordestino



O combate entre homem e natureza no Sertão está se tornando pagina virada na história. A região, conhecida pelo clima semi-árido e onde vivem 26 milhões de pessoas, está minada de experiências de armazenamento e utilização racional de água por famílias de agricultores. No lugar de combater, resolveram conviver com a seca. O resultado é uma mudança no cenário, antes dominado por imagens de crianças desnutridas, lavouras perdidas por falta de chuva e rebanho morto de sede. Agora, o cinza da caatinga começa a contrastar com o verde da lavoura.

As ‘armas hídricas’, de baixo custo e práticas, chamam-se cisternas, barragens subterrâneas, barreiros, poços. Além de garantir a sobrevivência do sertanejo, elas enfraquecem a indústria da seca, que vende a idéia de que apenas grandes obras, como a transposição de rios, podem garantir torneiras pingando em época de seca e salvar a lavoura dos nordestinos.

Nos lugares secos, é comum as chuvas aparecerem por três meses seguidos e, nos demais, a região passar por um período de estiagem que pode ser menos sofrido se forem fornecidas técnicas de fácil utilização para aproveitar água,

Para o engenheiro Lado Rebocas, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USA), as pequenas obras de captação de água são adequadas às comunidades rurais porque têm baixo custo e são fáceis de ser ‘manuseados’. “Assim, é possível atender à demanda do sertanejo sem destinar recursos altos para fazer adotaras”, explica. “São alternativas que minimizam os efeitos da seca mesmo quando há uma evaporação até quatro vezes maior do que a quantidade de chuva que cai no Semi-Árido.

Nas regiões secas, é comum chover de 400 milímetros (mm) a 800 mm por ano (para se ter idéia, no litoral, o índice é de 1,4 mil mm anualmente) e evaporar até três mil mm no mesmo período.

A instalação de cisternas, barragens subterrâneas, barreiros, poços e mandalas está garantindo a sobrevivência do sertanejo. As ações fazem parte de programas de aproveitamento da água de chuva, que vêm sendo desenvolvidos por mais de 750 organizações não-governamentais.


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Postado por: Jonas Menezes

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